Objeto, espírito e território.

Tapeçarias que brotam da terra 

Por Tiago Braga (@oiamodesign)
Lucia das Graças, Sandra Mara, Sandra Romeiro, Elis Gomes - Assentamento 20 de novembro - Porto Alegre RS

Gesto que permanece - Foto: Derek Fernandes (@derekfernandes)

 

No Rio Grande do Sul, extremo sul do Brasil, a presença negra se manifesta menos nos registros oficiais e mais nos gestos cotidianos, nas técnicas transmitidas, nos modos de habitar e produzir. Esta pesquisa parte da cultura material como lugar de permanência dessa memória — não como passado fixo, mas como prática em continuidade.

Gesto que permanece - Fotos: Lufe Torres (@lufetorres)

 

Os objetos têxteis desenvolvidos a partir desta investigação operam como superfícies de inscrição. Ritmo, repetição e matéria carregam gestos associados à experiência afro-gaúcha no território sulino. Não se trata de ilustração histórica, mas da ativação material de uma memória que persiste na forma.

O sul é aqui compreendido como território mestiço, marcado por sobreposições culturais e apagamentos. A experiência negra não aparece como margem, mas como componente estrutural dessa formação, ainda que frequentemente silenciado. O trabalho com o têxtil permite acessar essas camadas sem recorrer à representação direta: a memória emerge no gesto, na escolha dos materiais e na lógica construtiva.

Matéria e memória - Fotos: Lufe Torres (@lufetorres)

 

Esta pesquisa não busca fixar identidades nem encerrar narrativas. Ela estabelece um campo de escuta material, onde o objeto antecede a palavra. É a partir desse território histórico, cultural e corporal que a coleção apresentada a seguir se desenvolve.

Franjas de parede - Foto: Divulgação