Alessandra e Tiago na Aldeia Kaaguymirim/RS - Foto: Lufe Torres

 

PESQUISA & DESIGN DO IMAGINÁRIO GAUCHO BRASILEIRO

A Oiamo é um atelier nômade no Rio Grande do Sul criado pelo designer Tiago Braga que trabalha com comunidades e cooperativas artesanais buscando resgatar o trabalho manual que carrega uma parte da sua cultura e corre o risco de desaparecer. Ao longo de sua jornada, vem traçando uma profunda cartografia das tradições que são transmitidas de geração em geração por povos originários que constituem a cultura do RS: os indígenas, os negros, os imigrantes europeus e, também, uruguaios e argentinos. Mergulhando em suas vivências nas comunidades, ele busca trabalhar o potencial do ser cultural e ancestral - a partir de suas raízes - em projetos integrais na vida e locais onde vivem. Preservando, protegendo e tornado valorizado no mundo contemporâneo. 

Croquis de estudos no atelier de Tiago em Porto Alegre/RS - Foto: Lufe Torres

 

As criações transitam das artes manuais milenares - tricô, tear, crochê, bordado, cestaria, marcenaria. Guardam um pouco da história de territórios que se afirmam e se abarcam, tal qual nossa cultura diversa, mesclando formas, materiais, cheiros e cores - do tradicional ao contemporâneo. Ampliando a prática do artesanato e do modo de vida ancestral, como valor a ser resgatado.

Rosa Sales, etnia Kaingang - Foto: Divulgação

 

 

Tradições expandidas

Para a tecelagem e o bordado manual tradicionais do Sul para produção de palas e ponchos, Tiago traz textura única das fibras de resíduos da indústria têxtil. A pesquisa de elementos do imaginário combinada com o trabalho feito pelas mãos generosas das artesãs dão formas à pequenas coleções que, agora, vestem casas.

Marina no tear trabalhando com tecido de algodão reciclado em Gravataí/RS - Foto: Lufe Torres

 

Mirian tricotando com fibras naturais em Osório/RS - Foto: Lufe Torres

 

Projeto Caraá

O município de Caraá fica no Rio Grande no Sul em meio a Mata Atlântica, onde se encontra a nascente do rio dos Sinos, é formado por muitos imigrantes, principalmente italianos que em ali se estabeleceram. A economia local é eminentemente agrícola tem como produção primária os produtos hortigranjeiros como a banana. Por isso, a fibra de bananeira emerge como potencial geradora de renda às mulheres rurais.

O Projeto Caraá traz um novo olhar para o artesanato de subsistência do imaginário rural das famílias desde lugar, e aumenta o potencial de geração de renda para estas comunidades. O cesto de palha que, originalmente era visto apenas como utilitário para uso no dia-a-dia torna-se um objeto que guarda uma cultura. Essa alternativa mobilizou uma rede de mulheres que trançam a fibra que antes era descartada pelos os donos das plantações. Com isso, expandem a prática do artesanato e do seu modo de vida, como ativo a ser preservado, protegido e tornado valorizado no mundo contemporâneo.

Rosane costurando cestaria de fibra de bananeira no Caraá/RS - Foto: Lufe Torres

 

Reconhecimento do mercado

Nossas coleções integram importantes curadorias no Brasil e no exterior, como na Mac Design Miami e Feira na Rosenbaum. Trabalhamos ao lado de profissionais consagrados como Marcelo Rosenbaum, criando peças para a Farm Rio de Nova Iorque, e em projetos com Constanza Pascolato, Maurício Arruda, Michel Lott e Stephanie Ribeiro. Presente em diversas mostras como DW! São Paulo Design Week, Design Oriundi 2020, com curadoria de Joice Joppert, Casa Cor, entre outras.

Karine Portela tecendo fio de rede de pesca na Colônia de Pescadores Z3/RS - Foto: Lufe Torres