Objeto, espírito e território.

Estratégias
de permanência
em território instável

Por Tiago Braga (@oiamodesignart)
Artesãos: Marina Ferreira 
e João dos Santos - Gravataí/RS  

Foto: Divulgação Oiamo

 

Palafita nas Dunas parte do objeto, mas se estrutura a partir de uma condição: nada aqui é completamente estável. Sustentar não significa fixar, mas encontrar equilíbrio sobre aquilo que se move, cede e se transforma ao longo do tempo.

 

Foto: Divulgação Oiamo

 

 

A matéria carrega impermanência e imperfeição como valores. Água que seca, vento que sopra, madeiras que racham, fibras que se deslocam, superfícies que não se encerram — tudo permanece em estado ativo, atravessado pelo uso e pelo tempo.

O tecido é construído no tear a partir de sobras de algodão, reorganizadas manualmente.

Fios finos, trançados, sustentam densidades maiores — uma engenharia do instável, onde tensão e equilíbrio coexistem. São os palas, ponchos, baixeiros e acessórios que carregam a memória e a cultura do povo habitante dessa importante zona de fronteira, com características únicas, resultado de 3 séculos de miscigenação de ibéricos, índígenas, pretos, imigrantes europeus, e com forte influência dos uruguaios e argentinos.

 

Marina Ferreira no tear - RS - Fotos: Lufe Torres (@lufetorres)

 

Peças construídas como uma engenharia do instável — entre matéria, tempo e uso.

Palafita nas Dunas não representa um território.

Ela se constrói a partir dele — como um sistema onde impermanência, tensão e sustentação coexistem.